Neotaq Brilliant Green Plus: protocolos e aplicações para eletroforese segura 

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Neotaq Brilliant Green Plus: protocolos e aplicações para eletroforese segura 

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Neotaq Brilliant Green Plus é um corante fluorescente para ácidos nucleicos utilizado na visualização de DNA e RNA em gel de agarose. Por ser apresentado como alternativa mais segura ao brometo de etídio, seu uso é especialmente relevante em rotinas laboratoriais que exigem sensibilidade analítica associada a boas práticas de biossegurança. 

Neste artigo, reunimos *protocolos de uso, *condições técnicas de eletroforese e aplicações descritas em publicações científicas, com foco em laboratórios de pesquisa, diagnóstico e biologia molecular [1–11]. 

Como usar o Neotaq Brilliant Green Plus 

Existem dois modos principais de utilização do corante em eletroforese de ácidos nucleicos: *pré-casting, com incorporação do corante ao gel, e *pós-coloração, com imersão do gel após a corrida eletroforética. 

1. Protocolo de pré-casting (adição no gel) 

No protocolo de pré-casting, o corante é adicionado diretamente à solução de agarose ainda líquida. De acordo com a especificação técnica do produto, a recomendação é utilizar *4 a 6 µL de Brilliant Green Plus  para cada 100 mL de solução de agarose, adicionando-o após a solubilização completa da agarose e com a solução resfriada para aproximadamente *50–60 °C . 

Esse formato tende a ser o mais prático para a rotina laboratorial, pois reduz etapas e favorece a padronização do preparo do gel. 

2. Protocolo de pós-coloração 

Na pós-coloração, o gel é corado após a corrida, por imersão em solução contendo o Brilliant Green Plus . A recomendação técnica é utilizar *10 a 25 µL do corante para cada 100 mL de tampão, com tempo de exposição variável entre *5 e 60 minutos, conforme a espessura do gel e a intensidade de sinal desejada. 

Esse protocolo pode ser útil quando se busca maior sensibilidade de detecção, sobretudo em situações em que a visualização de bandas mais discretas é crítica para a análise. 

Condições do gel e da eletroforese 

O desempenho do corante depende não apenas do protocolo de coloração, mas também das condições de corrida e da composição do gel. 

Concentração de agarose 

Neotaq Brilliant Green Plus pode ser empregado em géis com concentração entre *0,8% e 3,0%, cobrindo desde aplicações com fragmentos maiores até separações de fragmentos menores. Em estudos com fungos fitopatogênicos, por exemplo, géis de *0,8% foram utilizados para visualização de regiões-alvo com boa resolução [5,9]. 

Espessura do gel 

Para favorecer coloração homogênea e melhor definição das bandas, recomenda-se que o gel apresente espessura inferior a 0,5 cm . Essa condição contribui para reduzir variações de fluorescência e facilitar a documentação da corrida. 

Tampões e voltagem 

O produto é compatível com tampões TAE 1X e *TBE 0,5X ou 1X, em condições usuais de eletroforese . Corridas realizadas com *100 V são frequentes em protocolos laboratoriais de rotina e adequadas para separação eficiente de fragmentos de DNA em gel de agarose . 

Aplicações científicas do Neotaq Brilliant Green Plus 

A literatura citada mostra uso do corante em diferentes áreas da biologia molecular, com aplicação em virologia, fitopatologia, microbiologia, saúde animal e análises de expressão gênica. 

Virologia e biologia molecular viral 

O corante foi empregado na visualização do genoma completo do *Circovírus Canino, em torno de **2 kb, em estudo de caracterização genômica publicado na *Ciência Rural [1]. Também foi utilizado na investigação de agentes virais associados a problemas reprodutivos felinos, incluindo a amplificação de fragmento do gene *VP2 do vírus da panleucopenia felina, com *442 pb [7]. 

Além disso, o produto aparece em estudo de análise transcriptômica relacionado à infecção in vitro por herpesvírus canino, reforçando sua aplicação em protocolos de expressão gênica e investigação molecular viral [11]. 

Fitopatologia, micologia e bacteriologia 

Na área de fitopatologia, o corante foi utilizado na visualização da região ITS de fungos como Olivea neotectonae [5] e na caracterização morfológica e molecular de Curvularia lunata [9]. Também aparece em estudos voltados à detecção de patógenos bacterianos, como Curtobacterium flaccumfaciens pv. flaccumfaciens, com fragmentos de 306 pb [3]. 

Em sementes de milho, a detecção e transmissão de Fusarium verticillioides também foi documentada com uso do corante em protocolos de análise molecular [10]. Já o trabalho com Frankliniella schultzei mostra sua aplicação em detecção molecular por sequenciamento direto e PCR em tempo real, ampliando o espectro de uso em entomologia e diagnóstico agrícola [6]. 

Saúde animal e oncologia veterinária 

Na pesquisa em saúde animal, o corante foi empregado em análises de expressão de proteínas relacionadas à via mTOR em carcinoma prostático canino, no estudo de Rivera-Calderón e colaboradores [8]. Esse tipo de aplicação evidencia a utilidade do produto em contextos de oncologia veterinária e biologia celular. 

Sustentabilidade e reutilização de gel 

Um ponto de interesse adicional é sua utilização em contextos de reciclagem de gel de agarose. O estudo de Dávida e Ramos demonstrou a efetividade da reciclagem do gel em ambiente laboratorial [2], e essa linha de aplicação reforça o potencial do corante em práticas mais sustentáveis, sem comprometer a visualização molecular em determinadas rotinas experimentais [2]. 

Por que esse tema tem relevância para laboratórios? 

A escolha de um corante para DNA e RNA não envolve apenas sensibilidade de detecção, mas também critérios de *segurança laboratorial, **facilidade de uso, *compatibilidade com protocolos consolidados e *reprodutibilidade. Nesse contexto, o *Neotaq Brilliant Green Plus se posiciona como alternativa alinhada às demandas atuais de laboratórios acadêmicos, clínicos e industriais. 

Além disso, o fato de haver uso documentado em diferentes áreas — da virologia à fitopatologia, passando por oncologia veterinária e sustentabilidade laboratorial — amplia sua relevância técnica e científica [1–11]. 

Conclusão 

Neotaq Brilliant Green Plus é um corante aplicável a diferentes protocolos de eletroforese em gel de agarose, com uso descrito tanto em pré-casting quanto em pós-coloração, além de compatibilidade com diferentes concentrações de gel e tampões usuais de corrida . 

Sua presença em estudos científicos envolvendo vírus, fungos, bactérias, expressão gênica e reaproveitamento de gel reforça o valor do produto para laboratórios que precisam conciliar desempenho analítico, segurança e versatilidade experimental [1–11]. 

Referências bibliográficas 

  1. CRUZ, T. F. et al. Genomic characterization of Canine circovirus detected in a dog with intermittent hemorrhagic gastroenteritis in Brazil. Ciência Rural, v. 50, n. 5, 2020. 
  1. DÁVIDA, D.; RAMOS, P. R. R. Efetividade na reciclagem do gel de agarose em laboratório comercial. Veterinária e Zootecnia, v. 23, n. 1, p. 105-111, 2016. 
  1. GONÇALVES, R. M. et al. Alternative hosts of Curtobacterium flaccumfaciens pv. flaccumfaciens, causal agent of bean bacterial wilt. European Journal of Plant Pathology, v. 148, p. 357–365, 2017. 
  1. GUIMARÃES, L. R. P. et al. Fungicide application can improve production of tomato coinfected with Begomovirus and Crinivirus. Pesquisa Agropecuária Brasileira, v. 52, n. 6, p. 435-442, 2017. 
  1. LEÃO, E. U. et al. Extração de DNA e identificação molecular de Olivea neotectonae isoladas de folhas de teca. Journal of Biotechnology and Biodiversity, v. 9, n. 2, p. 222-228, 2021. 
  1. LEÃO, E. U. et al. Efficient detection of Frankliniella schultzei by cytochrome oxidase I gene (mtCOI) direct sequencing and real-time PCR. Brazilian Archives of Biology and Technology, v. 60, 2017. 
  1. OLIVEIRA, I. V. P. M. et al. Research on viral agents associated with feline reproductive problems reveals a high association with feline panleukopenia virus. Veterinary and Animal Science, v. 6, p. 75–80, 2018. 
  1. RIVERA-CALDERÓN, L. G. et al. p-mTOR, p-4EBP-1 and eIF4E expression in canine prostatic carcinoma. Research in Veterinary Science, v. 122, p. 1-15, 2019. 
  1. SANTOS, P. R. R. et al. Morphological and molecular characterization of Curvularia lunata pathogenic to Andropogon grass. Bragantia, v. 77, n. 2, p. 326-332, 2018. 
  1. SOUSA, R. R. et al. Detection and transmission of Fusarium verticillioides in corn seeds according to the plant stage. Acta Scientiarum. Agronomy, v. 44, e53213, 2022. 
  2. VALADARES, T. F. et al. Transcriptomic analysis of differential gene expression reveals an increase in COX2 levels during in vitro canine herpesvirus infection. Ciência Rural, v. 48, n. 10, 2018. 
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