PCR em Tempo Real: Guia Completo da Técnica, Aplicações, Reagentes e Boas Práticas

Tempo de Leitura: 4 minutos

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PCR em Tempo Real: Guia Completo da Técnica, Aplicações, Reagentes e Boas Práticas

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A qPCR (PCR quantitativa em tempo real) é amplamente reconhecida como uma tecnologia consolidada e um componente fundamental da biologia molecular contemporânea [1, 2]. Graças à sua capacidade de detectar e quantificar concentrações mínimas de ácidos nucleicos em diversos tipos de amostras, ela se tornou a ferramenta essencial para o avanço dos diagnósticos moleculares, biotecnologia, agricultura e medicina [2, 3].  
 
Sua execução prática, que combina velocidade, alta sensibilidade e especificidade em um único sistema fechado, estabeleceu a técnica como o padrão de referência para a medição precisa de material genético [2, 3]. Atualmente, o PCR quantitativo e a RT-qPCR são indispensáveis para o diagnóstico molecular, estudos de expressão gênica, microbiologia, segurança alimentar e pesquisas acadêmicas [2-4].  

O que é PCR em Tempo Real ou qPCR?

Diferente da técnica convencional, a qPCR monitora a amplificação do DNA em tempo real através da emissão de fluorescência [2, 3]. Moléculas fluorescentes são integradas à reação, emitindo um sinal que aumenta  proporcionalmente à quantidade de amplicons gerados em cada ciclo [3]. 

  
A amplificação em tempo real permite visualizar a cinética da reação ainda em sua fase exponencial, momento em que os componentes não são limitantes e a eficiência é máxima [2, 3]. O processo ocorre em um sistema fechado (homogêneo), eliminando a necessidade de manipulação pós-PCR, o que reduz drasticamente o risco de contaminação cruzada [2, 3]. 

Como funciona PCR em tempo real

O funcionamento da técnica depende de um termociclador equipado com sensores ópticos capazes de detectar fluoróforos presentes na reação [2]. Esses equipamentos realizam ciclos controlados de desnaturação, anelamento e extensão do DNA [3]. 

Na etapa de desnaturação, as fitas de DNA são separadas em temperaturas superiores a 90°C [3]. Em seguida, durante o anelamento, primers e sondas ligam-se à sequência alvo [40]. Na fase de extensão, a DNA polimerase sintetiza novas fitas enquanto ocorre simultaneamente a leitura da fluorescência emitida [2,3]. 

Diferença entre PCR Convencional e qPCR 

A distinção fundamental reside no momento e no método de detecção do DNA amplificado, além da capacidade de quantificação precisa [2, 3]. 

Tabela 1 – Principais diferenças entre PCR convencional e PCR em Tempo Real 

Característica PCR Convencional qPCR 
Análise de Dados Ponto Final (End-point) Em Tempo Real (Cinética) 
Quantificação Qualitativa ou semiquantitativa Altamente Quantitativa 
Método de Detecção Gel de Agarose Sensores Ópticos / Fluorescência 
Sensibilidade Menor sensibilidade relativa Alta Sensibilidade (até < 3 cópias) 
Dynamic Range Limitado (aprox. 2 logs) Amplo (até 8 logs de variação) 
Risco de Contaminação Alto (sistema aberto) Baixo (sistema fechado) 

Principais Tipos de qPCR e Químicas de Detecção

As químicas de detecção dividem-se entre métodos não específicos para a sequência e métodos específicos [3].

 SYBR Green

O SYBR Green pertence à classe dos fluoróforos intercalantes, emitindo sinal fluorescente ao se ligar a moléculas de DNA de fita dupla (dsDNA) [1]. Essa tecnologia é amplamente utilizada em qPCR por sua versatilidade, praticidade e excelente relação custo-benefício, estando disponível em diversas formulações comerciais prontas para uso, como o REALQ Plus Master Mix Green, desenvolvidas para favorecer estabilidade, sensibilidade e desempenho consistente da reação. Em ensaios baseados em SYBR Green, a análise da curva de melting é realizada ao final da amplificação como uma etapa padrão do método, permitindo caracterizar o perfil de dissociação térmica do produto amplificado e confirmar a obtenção do amplicon esperado [1-3]. Assim, essa abordagem oferece uma solução eficiente e consolidada para aplicações de quantificação por PCR em tempo real. 

Sondas TaqMan / Hidrólise

A técnica de PCR em Tempo Real com sondas, ou probes, utiliza sondas específicas marcadas com um fluoróforo repórter e um supressor (quencher) [3]. Para esse tipo de reação, deve-se utilizar um Master Mix compatível com química de sondas, como o REALQ Plus Master Mix for Probe, formulado para favorecer o desempenho da amplificação e a detecção fluorescente adequada. O sinal é gerado pela atividade 5′-3′ exonuclease da DNA polimerase, que cliva a sonda hibridizada ao alvo durante a etapa de extensão [3]. Essa abordagem oferece alta especificidade e permite a detecção de múltiplos alvos no mesmo tubo, em aplicações de multiplex [3]. 

 Outras Tecnologias 

Molecular Beacons: Sondas em forma de grampo que fluorescem apenas ao hibridizarem com o alvo específico [3]. 

 
FRET probes:  Par de sondas adjacentes onde a transferência de energia entre fluoróforos gera o sinal [3]. 

 
Scorpion Probes: Sondas ligadas diretamente ao primer para acelerar a cinética de hibridização [3]. 

EvaGreen®:  outra classe de corantes intercalantes utilizada em PCR em Tempo Real que se liga ao DNA de fita dupla. 

Principais Reagentes Utilizados na qPCR 

A qualidade dos reagentes determina a transparência e repetibilidade exigida pelas diretrizes MIQE [1, 2]. 

 
Master Mix: Deve conter uma polimerase Hot Start para evitar amplificação inespecífica inicial, dNTPs balanceados e MgCl2 otimizado [2, 3]. 

 
Primers: O desenho deve ser validado in silico (ex: BLAST) e empiricamente (ex: curva de melting) [1, 2]. 

 
ROX: Corante de referência passivo usado em algumas plataformas para normalizar variações ópticas entre poços [2, 3]. 

Como Escolher um Master Mix para qPCR

Selecione o master mix com base na química (SYBR vs Sondas), na compatibilidade com o equipamento (necessidade de ROX) e na sensibilidade para detectar baixas cópias (LOD), que teoricamente alcança 3 cópias por PCR [2, 3]

Consumíveis Essenciais para qPCR

Os consumíveis laboratoriais impactam diretamente a performance do ensaio [1]. Placas PCR, tubos, selos ópticos, água livre de nucleases e ponteiras com filtro devem apresentar alta qualidade para garantir uniformidade térmica, vedação adequada e máxima integridade das amostras [1-3].

A Neobio Produtos para Laboratórios oferece uma linha completa de produtos para qPCR, incluindo Master Mix, água livre de nucleases, placas PCR, tubos para PCR, selos ópticos e ponteiras com filtro, desenvolvidos para proporcionar alta sensibilidade, reprodutibilidade e segurança em aplicações de biologia molecular. Distribuímos esses produtos, com muito sucesso, nos principais centros de pesquisas, laboratórios de diagnostico molecular e indústrias de grande porte do Brasil, há praticamente duas décadas.  

Consumíveis Neobio

Plásticos de alta qualidade influenciam a uniformidade térmica. Placas brancas são recomendadas por refletirem melhor a fluorescência, aumentando a sensibilidade [2]. 

Com base nas especificações técnicas e nas listas oficiais de compatibilidade dos fabricantes, a equipe técnica da Neobio elaborou a tabela a seguir para auxiliar na identificação da placa de PCR mais adequada para cada modelo de termociclador, contribuindo para a escolha correta do consumível de acordo com a compatibilidade do equipamento (Tabela 2) 

Tabela 2 – Compatibilidade das Placas de PCR Novas Bio.  

Código Descrição Termocicladores compatíveis 
HP96-LPFS-BKC Placa Hard Shell para PCR/qPCR, 96 poços, 0,1 mL, perfil baixo, saia completa, moldura preta e poços transparentes. Agilent: AriaDX, AriaMx. Bio-Rad: C1000, CFX Connect, CFX Opus 96, CFX Touch Deep Well, Chromo4, DNA Engine Dyad/Disciple, DNA Engine Opticon 2, Engine Tetrad 2, Opticon, Opticon 2, PTC-100, S1000. Bioneer: Exicycler 96 v4. Eppendorf: Mastercycler, Mastercycler ep, Mastercycler ep realplex. Analytik Jena: qTOWER3, qTOWER3 Touch. Techne: Quantica. 
HP96-LPFS-WW Placa Hard Shell para PCR/qPCR, 96 poços, 0,1 mL, perfil baixo, saia completa, moldura branca e poços brancos. Agilent: AriaDX, AriaMx. Bio-Rad: C1000, CFX Connect, CFX Opus 96, CFX Touch Deep Well, Chromo4, DNA Engine Dyad/Disciple, DNA Engine Opticon 2, Engine Tetrad 2, Opticon, Opticon 2, PTC-100, S1000. Bioneer: Exicycler 96 v4. Eppendorf: Mastercycler ep, Mastercycler ep realplex. Analytik Jena: qTOWER3, qTOWER3 Touch. Techne: Quantica. 
HP96-LPSSR-CC Placa Hard Shell para PCR/qPCR, 96 poços, 0,1 mL, perfil baixo, meia saia estilo Roche, moldura e poços transparentes. Agilent: AriaMx. Roche: LightCycler 480, LightCycler 96. 
HP96-LPSSR-WW Placa Hard Shell para PCR/qPCR, 96 poços, 0,1 mL, perfil baixo, meia saia estilo Roche, moldura e poços brancos. Agilent: AriaMx. Roche: LightCycler 480, LightCycler 96. 
PCR96-FLT-C Placa para PCR, 96 poços, 0,2 mL, perfil padrão, sem saia e transparente. Applied Biosystems: 9700, GeneAmp 2700/2720, Veriti, Veriti Fast. Agilent: AriaMx, SureCycler 8800. Thermo Scientific: Arktik, Px2/PxE. Bio-Rad: C1000, iCycler, iQ5, MJ Mini, MyCycler, MyiQ, MyiQ2, PTC-100, PTC-200, S1000, T100. Analytik Jena: Flexcycler, qTOWER3, qTOWER3 Touch, T1, TGradient, TPersonal, TProfessional Basic, Standard e Trio, TRobot, Uno e Uno II. Techne: Flexigene, Genius, Genius TC412, Prime, Prime Elite, PrimeG, TC-4000, TC-5000, TC-PLUS, Touchgene Gradient TC512, Touchgene X. Gene Technologies: GS1, GS4. Eppendorf: Mastercycler, Mastercycler ep, Mastercycler ep realplex, Mastercycler Nexus, Nexus Eco, Nexus Gradient, Nexus Gradient Eco, Nexus GSX1, GSX1E, SX1, SX1E e Mastercycler PRO/S.  Axygen MaxyGene II PeqLab peqSTAR96 MWG Primus 96 Stratagene Robocycler Biometra T1 Thermocycler, TGradient/TAdvanced, TProfessional, TRobot TaKaRa TP3000  
PCR96-LP-FLT-C Placa para PCR/qPCR, 96 poços, 0,1 mL, perfil baixo, sem saia e transparente. Applied Biosystems: 9700, GeneAmp 2700/2720, Veriti, Veriti Fast. Agilent: AriaMx, SureCycler 8800. Thermo Scientific: Arktik, Px2/PxE. Bio-Rad: C1000, CFX Opus 96, MiniOpticon, MJ Mini, Opticon, PTC-100, PTC-200, S1000. Analytik Jena: Flexcycler, qTOWER3, qTOWER3 Touch, T1, TGradient, TPersonal, TProfessional Basic, Standard e Trio, TRobot, Uno e Uno II. Bibby Scientific/Techne: Flexigene, Genius, Genius TC412, Prime, Prime Elite, PrimeG, TC-4000, TC-5000, TC-PLUS, Touchgene Gradient TC512, Touchgene X. Gene Technologies: GS1, GS4. Eppendorf: Mastercycler, Mastercycler ep, Mastercycler ep realplex, Mastercycler Nexus, Nexus Eco, Nexus Gradient, Nexus Gradient Eco, Nexus GSX1, GSX1E, SX1, SX1E, Mastercycler PRO/S. Axygen: MaxyGene II. PeqLab: peqSTAR96. MWG: Primus 96. Stratagene: Robocycler. Biometra: T1 Thermocycler, TGradient/TAdvanced, TProfessional, TRobot. TaKaRa: TP3000. 
PCR96-LP-FLT-W Placa para PCR/qPCR, 96 poços, 0,1 mL, perfil baixo, sem saia e branca. Applied Biosystems: 9700, GeneAmp 2700/2720, Veriti, Veriti Fast. Agilent: SureCycler 8800. Thermo Scientific: Arktik, Px2/PxE. Bio-Rad: C1000, CFX Opus 96, MiniOpticon, MJ Mini, Opticon, PTC-100, PTC-200, S1000. Analytik Jena: Flexcycler, qTOWER3, qTOWER3 Touch, T1, TGradient, TPersonal, TProfessional Basic, Standard e Trio, TRobot, Uno e Uno II. Techne: Flexigene, Genius, Genius TC412, Prime, Prime Elite, PrimeG, PrimeQ, TC-4000, TC-5000, TC-PLUS, Touchgene Gradient TC512, Touchgene X. Gene Technologies: GS1, GS4. Axygen: MaxyGene II. PeqLab: peqSTAR96. MWG: Primus 96. Biometra: T1 Thermocycler, TGradient/TAdvanced, TOptical, TProfessional, TRobot. TaKaRa: TP3000. 
PCR96-HS-C Placa para PCR, 96 poços, 0,2 mL, perfil padrão, meia saia e transparente. Agilent: AriaMx, Mx3000P, Mx3005P, Mx4000, Stratagene Robocycler Gradient. Thermo Scientific: Arktik, Px2/PxE. Bio-Rad: C1000, iCycler, iQ5, MyCycler, MyiQ, MyiQ2, PTC-100, PTC-200, S1000, T100. Techne: Flexigene, Genius, Genius TC412, Prime, Prime Elite, PrimeG, PrimeQ, TC-4000, TC-5000, TC-PLUS, Touchgene Gradient TC512. Gene Technologies: GS1, GS4. Eppendorf: Mastercycler ep, Mastercycler ep realplex, Mastercycler Nexus, Nexus Gradient, Mastercycler PRO/S. MWG: Primus 96. Analytik Jena: qTOWER3, qTOWER3 Touch. Biometra: T1 Thermocycler, TGradient/TAdvanced, TOptical. TaKaRa: TP3000. 
PCR96-AB-C Placa para PCR/qPCR, 96 poços, 0,2 mL, meia saia elevada estilo ABI e transparente. Applied Biosystems: 7700, 7500, 7300, 7000, 9800, 9700, 9600, GeneAmp 2700/2720, QuantStudio 12K, QuantStudio 3, QuantStudio 5, QuantStudio 6, QuantStudio 7, QuantStudio ViiA7, Veriti, Veriti DX. Analytik Jena: qTOWER3, qTOWER3 Touch. 
PCR96-LP-AB-C Placa para PCR/qPCR, 96 poços, 0,1 mL, perfil baixo, meia saia elevada estilo ABI e transparente. Applied Biosystems: 7500 Fast, 7900HT, 9800 Fast, QuantStudio 12K, QuantStudio 3, QuantStudio 5, QuantStudio 6, QuantStudio 7, QuantStudio ViiA7, StepOne, StepOnePlus, Veriti, Veriti Fast. Analytik Jena: qTOWER3, qTOWER3 Touch. 
HP384-BKC Placa Hard Shell para PCR/qPCR, 384 poços, moldura preta e poços transparentes. Bio-Rad: Chromo4, DNA Engine Opticon 2. Analytik Jena: qTOWER3, qTOWER3 Touch. 
HP384-BKW Placa Hard Shell para PCR/qPCR, 384 poços, moldura preta e poços brancos. Bio-Rad: CFX Opus 96, CFX Touch Deep Well, Chromo4, DNA Engine Opticon 2. Analytik Jena: qTOWER3, qTOWER3 Touch. 

Principais Problemas em qPCR e Como Resolver

Ct (Cq) Alto: Pode indicar presença de inibidores na amostra ou baixa integridade do molde [1, 2]. 
Amplificação no NTC: Sugere contaminação ambiental ou formação severa de dímeros de primer [1, 2]. 
Eficiência Ruim: Geralmente causada por design subotimizado de primers ou problemas na calibração térmica [2]. 

Como Funciona uma Reação de qPCR  

A reação processa-se em ciclos térmicos controlados por um termociclador [3]. 
1.  Desnaturação: Separação das fitas de DNA em temperaturas acima de 90°C [3]. 
2.  Anelamento:  Ligação dos primers e sondas ao alvo, geralmente entre 50-60°C [3]. 
3. Extensão: A polimerase sintetiza a nova fita (geralmente entre 70-78°C) e a leitura fluorescente ocorre simultaneamente [3].  

  Ct, Cq e Curva de Amplificação

As diretrizes MIQE padronizaram o termo Cq (Ciclo de Quantificação) para substituir nomes como Ct, Cp ou TOP [1, 2].  

 
Threshold (Limiar): Nível de sinal definido acima do ruído de fundo onde a amplificação se torna detectável [2, 3]. 

 
Cq: Ciclo fracionário no qual a fluorescência cruza o limiar; é inversamente proporcional à quantidade inicial de molde [2, 3]. 

 
Eficiência (E): Robustez da reação calculada via curva padrão; o valor ideal de 100% indica duplicação perfeita do material a cada ciclo [2]. 

Curva de Melting

Realizada após a PCR, a curva de melting monitora a dissociação térmica do DNA [3]. Um pico único confirma que apenas o amplicon alvo foi gerado [1, 3]. Picos adicionais em temperaturas baixas sugerem a presença de artefatos como  dímeros de primer [2, 3]. 
 

RT-qPCR: PCR em Tempo Real com RNA

A quantificação de RNA requer a conversão prévia em DNA complementar (cDNA) pela enzima transcriptase reversa (RT) [3]. Este processo é essencial para estudos de expressão gênica [3, 4]. A integridade do RNA (avaliada por métodos como RIN/RQI) e a verificação de contaminação por DNA genômico (controles No-RT) são requisitos fundamentais do MIQE [1, 2]. 

Aplicações da PCR em Tempo Real

A PCR em tempo real é amplamente utilizada por permitir a detecção e a quantificação de ácidos nucleicos com alta sensibilidade, especificidade e rapidez. Por esse motivo, tornou-se uma técnica essencial em diferentes áreas da pesquisa, diagnóstico molecular, controle de qualidade, microbiologia, biotecnologia, agricultura, veterinária e segurança alimentar. Suas principais aplicações incluem:  

  • Análise de expressão gênica 
    A RT-qPCR é muito utilizada para avaliar o nível de expressão de genes em diferentes tipos de amostras, como tecidos, sangue, células cultivadas, bactérias, plantas, animais e humanos. Essa aplicação permite comparar como determinados genes se comportam em condições normais, em doenças, após tratamentos, em diferentes fases do desenvolvimento ou em resposta a estímulos externos. Para garantir resultados confiáveis, normalmente são utilizados genes de referência como controles internos [5]. 
  • Detecção de mutações 

 
A PCR em tempo real pode ser empregada para identificar alterações específicas no DNA, como mutações pontuais, variantes genéticas ou mudanças associadas à resistência a medicamentos. Essa aplicação é importante em estudos oncológicos, doenças infecciosas, genética médica e monitoramento de terapias. A técnica permite detectar variantes de interesse de forma rápida e seletiva, auxiliando na tomada de decisão clínica ou experimental [5].  

  • Determinação do status molecular de câncer 
    Na oncologia molecular, a PCR em tempo real pode ser utilizada para investigar genes relacionados ao desenvolvimento, progressão e comportamento de tumores. A técnica contribui para a identificação de biomarcadores, avaliação de expressão gênica em tecidos tumorais e detecção de mutações associadas a tipos específicos de câncer. Essas informações podem apoiar estudos de diagnóstico, prognóstico e resposta a tratamentos [5].  
  • Análise de microRNAs 
    Os microRNAs são pequenas moléculas de RNA envolvidas na regulação da expressão gênica. A RT-qPCR permite quantificar esses alvos com alta sensibilidade, sendo aplicada em estudos de câncer, infecções virais, resposta imune, inflamação e desenvolvimento celular. Como muitos microRNAs podem atuar como biomarcadores, essa aplicação tem grande relevância em pesquisas clínicas e biomédicas [5].  
  • Detecção de organismos geneticamente modificados 
    A PCR em tempo real é uma das principais metodologias utilizadas para identificar e quantificar organismos geneticamente modificados em alimentos, rações e matérias-primas. Essa aplicação é importante para rastreabilidade, controle regulatório, biossegurança e rotulagem adequada de produtos. A técnica pode ser aplicada tanto em amostras não processadas quanto em produtos industrializados [5].  
  • Detecção bacteriana 
    A técnica permite a identificação rápida de bactérias em amostras clínicas, ambientais, alimentares e veterinárias. Por meio do uso de primers e sondas específicos, é possível detectar patógenos bacterianos com maior rapidez em comparação a métodos tradicionais baseados apenas em cultivo. Essa aplicação é útil em diagnóstico molecular, controle microbiológico e investigação de surtos [5].  
  • Quantificação bacteriana 

 
Além de detectar a presença de bactérias, a PCR em tempo real também pode quantificar a carga bacteriana presente em uma amostra. Isso é importante para monitorar a evolução de infecções, avaliar resposta a tratamentos, acompanhar processos microbiológicos e estudar comunidades bacterianas em diferentes ambientes. A quantificação também pode ser útil em controle de qualidade e validação de processos [5].  

  • Detecção viral 
    A RT-qPCR é amplamente utilizada para detectar vírus de RNA e DNA em diferentes tipos de amostras. Essa aplicação é essencial no diagnóstico molecular de infecções virais, permitindo identificar o agente infeccioso de forma rápida, sensível e específica. A técnica pode ser aplicada em amostras respiratórias, sangue, plasma, tecidos e outros materiais biológicos [5].  
  • Quantificação de carga viral 
    A PCR em tempo real permite estimar a quantidade de vírus presente em uma amostra, sendo muito importante no acompanhamento de infecções virais. A carga viral pode ser usada para avaliar evolução da doença, resposta ao tratamento, risco de transmissão e dinâmica da infecção. Para essa finalidade, é necessário o uso de curvas-padrão ou materiais de referência adequados [5].  
  • Análise de alimentos 
    Na área de alimentos, a PCR em tempo real pode ser usada para detectar alérgenos, identificar espécies animais ou vegetais, verificar autenticidade de ingredientes e investigar fraudes alimentares. Também pode ser aplicada no controle de qualidade de alimentos crus, processados e rações. Essa abordagem contribui para segurança alimentar, rastreabilidade e conformidade com exigências regulatórias [5].  
  • Monitoramento ambiental e biorremediação 
    A PCR em tempo real pode ser empregada para monitorar microrganismos e genes funcionais envolvidos na degradação de contaminantes ambientais. Essa aplicação é útil para avaliar a presença e a atividade potencial de microrganismos em solos, águas, lodos e outros ambientes. Também auxilia no acompanhamento da eficiência de processos de biorremediação e no estudo de comunidades microbianas ambientais [5].  
  • Detecção e quantificação de patógenos 
    A técnica pode ser aplicada para identificar e quantificar diferentes tipos de patógenos, incluindo bactérias, vírus, fungos e parasitas. Ensaios multiplex permitem detectar mais de um alvo na mesma reação, otimizando tempo, amostra e recursos. Essa aplicação é relevante para diagnóstico clínico, veterinário, vigilância sanitária, pesquisa epidemiológica e controle de qualidade [5].  
  • Diagnóstico molecular de SARS-CoV-2 

 
A RT-qPCR foi amplamente utilizada como método de referência para confirmação laboratorial da COVID-19. A técnica permite detectar regiões específicas do genoma viral, como genes associados às proteínas N, E e RdRp. Sua sensibilidade e especificidade tornaram a RT-qPCR uma ferramenta essencial para diagnóstico, triagem, vigilância epidemiológica e monitoramento da disseminação viral [5].  

  • Detecção de variantes virais 

 
A PCR em tempo real também pode ser adaptada para identificar mutações específicas associadas a variantes virais. Essa aplicação permite uma triagem rápida de alterações genéticas relevantes, podendo complementar o sequenciamento genômico em programas de vigilância molecular. É especialmente útil quando se deseja monitorar variantes de interesse de forma rápida e com menor custo [5]. 

Boas Práticas e Diretrizes MIQE

As diretrizes MIQE visam garantir a integridade da literatura científica e a transparência experimental [2]. É obrigatório relatar sequências de primers, eficiência da PCR, métodos de normalização e usar replicatas biológicas e técnicas para assegurar a precisão dos dados [1, 2]. 
Os equipamentos utilizados em qPCR possuem papel fundamental na qualidade dos resultados [1]. Termocicladores em tempo real modernos contam com sensores ópticos altamente sensíveis, filtros específicos e softwares avançados para análise automática de curvas de amplificação e identificação de outliers [1, 2].  

Conclusão

A PCR em Tempo Real continua sendo uma das ferramentas mais importantes da biologia molecular moderna [1-3]. Quando executada com reagentes de qualidade, consumíveis adequados e seguindo rigorosamente as diretrizes MIQE [1, 2], a técnica entrega resultados altamente precisos, reprodutíveis e confiáveis para aplicações científicas, diagnósticas e industriais [1-3].  

FAQ sobre PCR em Tempo Real (qPCR)

Por que minhas curvas de amplificação estão inconsistentes entre as réplicas? 

Diferenças na pipetagem, degradação do ácido nucleico, formação de bolhas, variações na preparação do mix ou a presença de inibidores podem causar divergências entre as réplicas. O uso de master mixes otimizados, reagentes de alta qualidade e uma técnica de pipetagem adequada contribuem para maior reprodutibilidade. 

O que pode causar alta variação entre os Ct das amostras? 

Variações nos valores de Ct geralmente estão relacionadas à qualidade ou quantidade do DNA/RNA, diferenças na eficiência da extração, presença de inibidores, erros de pipetagem ou baixa eficiência da reação. Padronizar o preparo das amostras e utilizar reagentes robustos ajuda a reduzir essa variabilidade. 

Como evitar formação de dímeros de primers e amplificações inespecíficas? 

A utilização de primers bem desenhados, temperaturas de anelamento adequadas e enzimas Hot Start minimiza a formação de dímeros e produtos inespecíficos. Em ensaios com corantes intercalantes, a análise da curva de melting deve ser realizada como procedimento padrão para confirmar a especificidade da amplificação. 

Por que meu sinal fluorescente está muito baixo? 

Baixa concentração do alvo, degradação do DNA ou RNA, presença de inibidores ou reagentes incompatíveis com o equipamento podem resultar em baixa fluorescência. Também é importante verificar se o canal de detecção está configurado corretamente para o fluoróforo utilizado. 

Por que algumas amostras não amplificam mesmo contendo DNA ou RNA? 

Amostras podem conter substâncias inibidoras, apresentar degradação dos ácidos nucleicos ou possuir concentração abaixo do limite de detecção. Além disso, problemas no desenho dos primers ou na configuração do protocolo podem comprometer a amplificação. 

O que fazer quando o Ct está muito alto ou muito variável? 

Valores elevados ou inconsistentes de Ct podem indicar baixa quantidade de alvo, degradação da amostra ou baixa eficiência da reação. Recomenda-se avaliar a qualidade do DNA ou RNA, revisar as concentrações dos primers e utilizar reagentes com maior sensibilidade. 

Como detectar alvos de baixa abundância com maior sensibilidade? 

O uso de enzimas de alta eficiência, reagentes otimizados para qPCR e amostras de alta qualidade aumenta significativamente a sensibilidade. Também é importante minimizar perdas durante a extração e evitar a presença de inibidores. 

Por que minha curva de melting apresenta mais de um pico? 

Múltiplos picos na curva de melting podem indicar amplificação inespecífica ou formação de dímeros de primers. O redesenho dos primers, ajustes na temperatura de anelamento e a utilização de enzimas Hot Start ajudam a obter um único produto específico. 

Qual master mix é indicado para ensaios multiplex com sondas? 

Ensaios multiplex requerem master mixes específicos para sondas, capazes de proporcionar alta eficiência e baixa interferência entre fluoróforos. Formulações desenvolvidas para Probe qPCR, como o RealQ Plus for Probe, são adequadas para aplicações multiplex em diferentes plataformas. 

Como evitar degradação do RNA antes da reação? 

É fundamental trabalhar em ambiente livre de RNases, utilizar materiais certificados como RNase Free e armazenar as amostras em temperaturas adequadas. A manipulação rápida e o uso de reagentes estabilizadores também contribuem para preservar a integridade do RNA. 

Por que obtenho resultados diferentes entre extrações de RNA? 

Diferenças entre amostras podem ocorrer devido à eficiência variável do método de extração, degradação do RNA ou presença de contaminantes. A padronização do protocolo e a avaliação da pureza e integridade do RNA são essenciais para garantir resultados consistentes. 

Posso realizar RT-qPCR diretamente sem etapa de purificação extensa? 

Sim. Existem soluções que permitem a obtenção rápida do material genético, reduzindo o tempo de preparo e dispensando etapas extensas de purificação. Esses métodos são especialmente úteis em aplicações de triagem e análises de rotina. 

Como escolher genes de referência adequados? 

Os genes de referência devem apresentar expressão estável nas condições experimentais avaliadas. Recomenda-se validar mais de um gene constitutivo e selecionar aqueles que apresentem menor variação entre as amostras. 

Qual é a quantidade ideal de DNA ou RNA para cada reação? 

A quantidade ideal depende do tipo de amostra e do ensaio, mas normalmente são utilizados entre 1 e 100 ng de DNA ou entre 1 e 1000 ng de RNA para síntese de cDNA. É importante seguir as recomendações do fabricante dos reagentes e evitar excesso de material, que pode introduzir inibidores na reação. 

Como garantir reprodutibilidade entre diferentes experimentos? 

A utilização de protocolos padronizados, reagentes de alta qualidade, controles adequados e equipamentos calibrados é fundamental. Sempre que possível, recomenda-se trabalhar com os mesmos lotes de reagentes e incluir controles internos em todas as análises. 

Meu kit é compatível com Bio-Rad CFX96, QuantStudio, Rotor-Gene ou LightCycler? 

A maioria dos reagentes modernos para PCR em Tempo Real é desenvolvida para ser compatível com as principais plataformas do mercado, incluindo Bio-Rad CFX96, Applied Biosystems QuantStudio™, Rotor-Gene® e Roche LightCycler®. Recomenda-se verificar as especificações do fabricante para confirmar a compatibilidade com o equipamento utilizado. 

Posso utilizar o mesmo reagente em diferentes plataformas de qPCR? 

Sim. Muitos master mixes são formulados para oferecer desempenho consistente em diferentes sistemas de PCR em Tempo Real. Isso permite a utilização do mesmo reagente em equipamentos de diversos fabricantes, facilitando a padronização e a reprodutibilidade dos experimentos. 

Referências: 

 [1] Bustin et al. (2010). MIQE précis. BMC Molecular Biology.  

[2] Bustin et al. (2009). The MIQE Guidelines. *Clinical Chemistry*.  

[3] Mackay (2004). Real-time PCR in microbiology. *Clin Microbiol Infect*.  

[4] Vandesompele et al. (2002). geNorm Strategy. *Genome Biology*. 

[5] ARTIKA et al. (2002). Real-Time Polymerase Chain Reaction: Current Techniques, Applications, and Role in COVID-19 Diagnosis. Genes, v. 13, n. 12, p. 2387, 2022. 

Essa revisao foi escrita por 

Dr. Guilherme Ramanzini  

CEO da Neobio Produtos para Laboratórios.  

Biólogo, Doutor em Fisiologia Comparada –  Universidade de São Paulo. 

Dra Nelci Antunes de Moura  

Assessora Científica na Neobio Produtos para Laboratórios

Bióloga, Doutora em Biologia Celular Estrutural e Funcional – Universidade Estadual Paulista.  

PCR em tempo real, guia completo, reagentes e consumíveis plásticos
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PCR em Tempo Real: Guia Completo da Técnica, Aplicações, Reagentes e Boas Práticas

A qPCR (PCR quantitativa em tempo real) é amplamente reconhecida como uma tecnologia consolidada e um componente fundamental da biologia molecular contemporânea [1, 2]. Graças à sua capacidade de detectar e quantificar concentrações mínimas de ácidos nucleicos em diversos tipos de amostras, ela se tornou a ferramenta essencial para o avanço dos diagnósticos moleculares, biotecnologia, agricultura e medicina [2, 3].   Sua execução prática,